quarta-feira, 13 de abril de 2016

A atualidade do Manifesto do Partido Comunista

Em 1848, a Liga dos Comunistas, primeira entidade de trabalhadores revolucionários de abrangência internacional, decidiu publicar um manifesto expondo seu programa. Confiou a redação a dois de seus membros, K. Marx e F. Engels, então jovens intelectuais. O Manifesto do Partido Comunista foi publicado em fevereiro do mesmo ano e tornou-se um dos textos mais representativos dos pensamentos moderno e revolucionário.

Os autores expõem na primeira parte, denominada Burgueses e Proletários, a tese de que a luta de classes é a principal dimensão da história humana. A classe dominante de cada época é beneficiada pela forma particular de propriedade. Ao chegar a uma determinada fase de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade se chocam com as relações de produção existentes, especialmente com as relações de propriedade dentro das quais se desenvolveram até ali, as quais se tornam obstáculos a elas. O conflito aberto entre proprietários e produtores diretos (trabalhadores), entre opressores e oprimidos, abre a possibilidade da revolução social.

Para K. Marx e F. Engels, após surgirem de dentro do próprio feudalismo, a burguesia, a propriedade capitalista e as forças produtivas modernas revolucionaram o mundo. Multiplicaram a capacidade de produção e ampliaram os mercados até incorporar todos os continentes. Além de mais produtivo e integrado, o mundo passou a ser essencialmente instável, pois o capitalismo provoca uma ininterrupta mudança de processos, produtos e instituições. Essa revolução instalou o pragmatismo utilitário na vida cotidiana, dissolvendo os valores comunitários do passado no frio cálculo monetário.

Na segunda parte do Manifesto, intitulada Proletários e Comunistas, procura-se demonstrar que o avanço produtivo passou a não mais caber nas relações sociais capitalistas e a se mostrar incompatível com o domínio da burguesia. O caráter cada vez mais social da produção preparou as condições para a propriedade coletiva dos meios produtivos e criou o sujeito histórico interessado nessa mudança: o proletariado. A grande indústria concentrou enorme massa de assalariados sujeitos a um contínuo processo de exploração. A classe trabalhadora passou a constituir um ator coletivo com o potencial de destruir todas as dominações de classe e abolir a propriedade privada.

Os comunistas comporiam o movimento internacional buscando esclarecer o proletariado a respeito das reais possibilidades de superação do capitalismo, por meio de uma revolução socialista e do estabelecimento de uma sociedade baseada na propriedade social dos meios de produção e na superação do Estado como instrumento de domínio de classe. Na terceira e última parte, denominada Literatura Socialista e Comunista, K. Marx e F. Engels fazem a crítica das correntes socialistas conservadoras e utópicas, e fecham o escrito com a conclamação que se tornou célebre e expressa muito bem o espírito dos comunistas: “Trabalhadores de todo mundo, uni-vos”.

Escrito no contexto dos acontecimentos que levariam à eclosão das revoluções sociais de 1848 na Europa, o Manifesto expressa, no plano teórico-político, uma decisiva viragem histórica: pela primeira vez, se apresenta um projeto sócio-político explícita e organicamente integrado à perspectiva da classe trabalhadora. Somente este sujeito histórico será capaz de promover de forma consequente a Revolução Comunista de que fala o Manifesto: substituir a “velha sociedade burguesa, com suas classes e antagonismos de classes” por uma “associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos”.
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O PODER POPULAR Nº 9: http://pcb.org.br/portal2/10615

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