quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um ícone a ser saudado: Fidel faz 90 anos

Por Roberto Bitencourt da Silva

O aposentado comandante Fidel Castro Ruz completa 90 anos de idade, em 13 de agosto. Convenhamos, o aniversário do líder cubano corresponde a um acontecimento que merece ser saudado. Um bom motivo, também, para a reflexão política sobre a América Latina.

É difícil fazer comparações em torno da importância de personagens, eventos e processos históricos. A história, enquanto campo de saber, lida em boa medida com as singularidades. As comparações no espaço e no tempo são, no mínimo, controversas.

Mas, arrisquemo-nos a uma observação dessa natureza. No século XX nenhuma liderança política alcançou o status e a proeminência de Fidel, na América Latina. Em toda a nossa história pós-colombiana, talvez seja ombreado apenas por Simón Bolívar, no século XIX.

Me refiro evidentemente a personagens históricos que desenvolveram ações voltadas aos interesses do nosso subcontinente, que se projetaram como símbolos de uma região ciosa por soberania política e econômica, bem como pelo bem-estar dos seus povos.

Fidel Castro foi a principal liderança de uma revolução popular e anti-imperialista, em um país cuja distância da potência estadunidense é inferior a 200 km. Não é pouca coisa. Aliás, tratou-se de um fenômeno épico, heroico, senão mesmo imprevisível.
A simpática Cuba soberana e socialista deixou para trás muito do legado neocolonial imposto pelos EUA: flagrantes injustiças sociais, elevado desemprego e superexploração do trabalho, acentuado racismo, corrupção dos poderes públicos e ofensa à consciência e à dignidade nacional.

Cuba, liderada pelo comandante Fidel, superou o amplo analfabetismo e a miséria que assolavam a maioria da população, para figurar na condição de referência mundial em educação e saúde públicas.

Mas, é claro, as mazelas geradas pelo subdesenvolvimento e o neocolonialismo incidem nas estruturas sociais e econômicas das nações que por esses tipos de experiências passa(ra)m.

Cuba, uma ilha dotada de território pequeno e com limitados recursos naturais, é expressão da força de incidência das chagas do capitalismo subdesenvolvido e periférico, mesmo adentrando experiências distintas de organização da sociedade e do sistema produtivo.

A dependência externa talvez constitua a principal limitação herdada do período pré-revolucionário. Partindo de parco domínio técnico-científico e de uma distorção produtiva revelada pela monocultura do açúcar, Cuba apenas timidamente superou tais limitações em suas forças produtivas. Suas vulnerabilidades são significativas.

Com um histórico de dependência em relação aos EUA e, posteriormente, à antiga União Soviética, hoje suas relações comerciais giram em torno da Venezuela e da China. O absurdo embargo comercial norte-americano, além dos constantes atos de sabotagem e terrorismo patrocinados pelo governo dos EUA, décadas a fio, reforça(ra)m as dificuldades do país (1).

Moniz Bandeira, em estudo sobre Cuba (“De Martí a Fidel: a revolução cubana e a América Latina”), entende que, mais do que um fenômeno político nacional, a revolução cubana é expressão das contradições entre a América Latina e os EUA.
Desse ponto de vista, poderíamos afirmar que nenhum personagem, como Fidel Castro, melhor condensou a denúncia vigorosa contra o imperialismo estadunidense na região, contra a sua agressiva inibição da vontade soberana dos povos latino-americanos. O adágio monroísta da “América para os americanos” encontrou em Fidel um especial e aguerrido adversário.

Fidel Castro é filho das terras latino-americanas. Martiniano, sempre apresentou acentuada veia nacionalista em defesa de Cuba. Também caminhou nas trilhas de Bolívar, pregando a integração latino-americana.

Mas, o comandante é expressão política igualmente universalista. Leitor de Rousseau, Marx e Lenin, sintetiza um pensamento antidogmático, fincado nas especificidades da região, sem desprezo às contribuições intelectuais de outras paragens.
Universalista também no que diz respeito à promoção de sistemáticas e diferentes missões internacionalistas de solidariedade aos povos de nuestra América, da África e da Ásia.

Entretanto, antes de tudo, bolivariano. Poucas lideranças nossas tiveram a capacidade de colocar em prática o apelo do mestre de Bolívar, Simón Rodríguez: “Ou inventamos ou perecemos”. Uma recomendação que norteava o pensamento de Bolívar, como de Fidel.

O comandante é símbolo de uma esquerda latino-americana não colonizada (vale lembrar, amigos, que infelizmente não são apenas as direitas que demonstram tal vício de pensamento). Uma esquerda atenta às especificidades regionais, que entrecruzou o socialismo, com o nacionalismo e o anti-imperialismo.

Fidel liderou inicialmente uma “revolução contra a ordem” imperialista. Depois contra o capitalismo, como assinala Florestan Fernandes (“Da guerrilha ao socialismo – a revolução cubana”), deixando de lado as oligarquias/burguesias nacionais associadas ao capital estadunidense.

Pôs para escanteio um cânone que prevalecia na seara comunista do início da década de 1960, da revolução democrática e anti-imperialista com apoio burguês. Deixou a URSS e os partidos comunistas sovietizados de cabelo em pé e mergulhados na incompreensão.

O comandante Fidel, senão inventou, levou às últimas consequências a combinação do socialismo com o nacionalismo, adotando métodos e lidando com contingências peculiares, que exigiam formulações políticas e intelectuais próprias às situações enfrentadas.

Um “socialismo moreno”, como defendia Darcy Ribeiro para o Brasil. Isto é, um socialismo destituído de dogmas importados, que somente enrijecem a ação e a reflexão política.

O comandante teve a ousadia de liderar a construção do socialismo em um país materialmente pobre, pequeno e cercado pelo gigante imperial do Norte. Os problemas decorrentes para o país caribenho não são poucos e estimulam a reflexão, devido às parcas alternativas abertas para as nossas gentes, na atualidade.

Esquematicamente, de um lado, a superexploração do trabalho, a inexistente ou precária soberania política e de domínio tecnológico, mas com acesso a amplos bens de consumo. De outro, a dignidade nacional, com justiça social, comprometida, no entanto, com restrições técnicas e nas relações internacionais.

Trata-se de uma difícil escolha em nossa região, haja vista a capilaridade da influência dos valores concernentes à sociedade de consumo, à fetichização das marcas das multinacionais no cotidiano dos povos latino-americanos, particularmente no Brasil.

Não obstante, quaisquer ideias que se pretendam sintonizadas com o socialismo e com uma perspectiva que saliente a ruptura da condição periférica no sistema capitalista demandam a reflexão sobre as ideias, o engenho criativo e a ousadia do grande aniversariante, o comandante Fidel Castro.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

https://gz.diarioliberdade.org/america-latina/item/47064-um-icone-a-ser-saudado-fidel-faz-90-anos.html

terça-feira, 9 de agosto de 2016

APESAR DE...: Não participar das eleições, PCB não se omitirá do debate político.

Não parricipar das eleições municipais, seja disputando mandados ou apoiando candidatos A ou B, foi uma opção política do PCB em Pirambu, que não obstante, estará presente nas lutas políticas dialogando com a população, não se descuidando da educação política de sua militância, ao tempo em que se manterá articulado com os movimentos sociais.

E para clarear os próximos passos de sua militância, será realizado nesta sexta-feira, 12, a 24ª Reunião Plenária do 2° Comitê Municipal, quando estará em pauta demandas políticas e organizativas. As resoluções serão publicadas na próxima edição do jornal "Comuna de Pirambu", em sua edição de agosto de 2016.
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por PCB/Pirambu

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

08 DE AGOSTO: Dia do Pirambuense

Assim como o 24 de Outubro é o Dia da Sergipanidade, também temos nossos motivos para nos orgulhar

Até 2011 Pirambu comemorava o 8 de agosto como sendo a data de sua emancipação política. Foram necessários muita insistência de nossa parte e e de posse da farta documentação para convencer a administração municipal (luta iniciada desde o ano 2001) a fazer a revisão histórica, e a luz da Lei n° 1.234 de 26 de novembro de 1963, desde então é nesta data que celebramos a independência política de Japaratuba da qual pertencíamos desde 24 de agosto de 1947.

O 8 de agosto está associada as etapas de instalação do município de Pirambu que se deu em 1965, quando tivemos empossados os primeiros prefeito, vice-prefeito e vereadores (SILVA, Claudomir Tavares. História de Pirambu. Pirambu: Tribuna da Praia, 2004), e sendo assim, propomos para essa data que atribuamos a ele o Dia do Pirambuense, preservando-a não como mais um feriado,  mas um marco a ser discutido em escolas,  universo cultural e pela sociedade pirambuense.

Assim, de forma simbólica, ele será o tema central das aulas de Sociedade & Cultura ao longo desta semana na Escola Municipal Mario Trindade Cruz, na sede do município. Seria uma semelhança ao tratamento dado ao 24 de outubro que antes era celebrado como a Emancipação Politica de Sergipe,  até ser consolidado o 8 de agosto; data em que Dom João VI assinou o Decreto que tornava Sergipe independente da Bahia. Mas não abortamos o 24 de outubro do Calendário Cultural de nosso estado,  dedicando a ele o "Dia da Sergipanidade", tendo a historiadora Maria Thétis Nunes produzido valioso ártigo exaltando esse atributo.

No nosso entendimento,  pirambuense não é necessariamente aquele aqui nascido ou honorificamente reconhecido pela Câmara de Vereadores,  mas todos e todas que assim se identifiquem,  sejam vindos do Porto Grande ou do Canal de São Sebastião (Bara dos Coqueiros), de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Paraíba,  Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte ou de qualquer rincão do Brasil - e do Mundo.

Nesta data, sejamos todos e todas pirambuense.
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por Claudomir Tavares  (48), licenciado em História pela UFS, professor de Sociedade & Cultura da Escola Municipal Mario Trindade Cruz, membro do GEPEPP e do CEMARX.

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