quarta-feira, 6 de julho de 2016

EDITORIAL: Nenhuma trégua ao governo Temer!

O recém empossado presidente interino Michel Temer, em seus primeiros atos e pronunciamentos, deixou claras as linhas mestras que nortearão o seu governo. O Ministério anunciado é uma combinação de nomes que, em sua maioria, sempre ocuparam espaços junto ao poder político, representando interesses fisiológicos de seus partidos e do grande empresariado. Ironicamente, parte dos ministros está arrolada em investigações de suspeita de corrupção (alguns até já foram defenestrados de seus cargos por isso), e o ministro que comanda a economia, Henrique Meirelles, ex-integrante do governo Lula, é ligado à banca internacional.

As medidas anunciadas pelo governo, representante puro sangue da burguesia, baseadas no projeto do PMDB “Ponte para o Futuro”, na Agenda Brasil (já em curso no governo Dilma) e vários projetos de lei que tramitam no Congresso, apontam para a brutalidade do ajuste necessário ao capital, aprofundando o ataque aos direitos dos trabalhadores e o retrocesso social e cultural. Mais cortes são anunciados nas áreas sociais, com propostas de diminuição e descaracterização do SUS, privatização do ensino em todos os níveis, uma nova contrarreforma da previdência, flexibilização ou extinção de licenças ambientais, além do famigerado PL 257, que pretende impor o congelamento de salários e estancamento das carreiras, tornando letra morta a estabilidade no emprego dos funcionários públicos. A ofensiva obscurantista se expressa, também, no fechamento inicial do Ministério da Cultura, no retrocesso na pauta dos quilombolas e nações indígenas, no Estatuto da Família em tramitação, na restrição ao debate de gênero, das bandeiras LGBT e do livre direito de opinião no ato educativo, tal como se expressa nas diferentes iniciativas da chamada Escola sem Partido.

A política de austeridade é velha conhecida dos trabalhadores, sobre os quais sempre recai a recessão causada pela redução dos investimentos públicos. Austeridade é sinônimo de desemprego, miséria, ataques a educação e saúde públicas, às aposentadorias. Implica sempre em retirada de direitos trabalhistas e sociais, assim como em redução do poder de compra dos salários. Lastreia-se na crença de que a economia de “livre” mercado se recuperará, “naturalmente”, com a criação de um “clima de confiança” para os grandes investidores, para os quais são apresentadas condições favoráveis para a reprodução e acumulação do capital, com o barateamento da força de trabalho e o “enxugamento” do Estado, centralmente por meio de mais privatização de empresas públicas.

A luta, no entanto, continua. Nas ruas, locais de trabalho, moradia e estudo, os trabalhadores, as trabalhadoras e a juventude, organizados nos movimentos sindical e popular, têm que fazer valer seus direitos, colocando o novo governo em cheque. É nas lutas que poderemos obter novas conquistas e derrotar esse governo ilegítimo, denunciando os golpes impostos pelo capital e buscando construir o caminho para a superação do capitalismo.

Diante do novo quadro político, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) propõe a criação de um Bloco de Lutas, que reúna o conjunto das organizações anticapitalistas, das entidades atuantes no movimento sindical e popular, com vistas à unificação das lutas sociais e políticas. Nesse sentido, propomos que sejam tomadas iniciativas para a realização de um grande Encontro da Classe Trabalhadora (ENCLAT), unindo na luta os sindicatos, movimentos sociais e populares do campo classista.

Nenhuma trégua ao governo Temer! Nenhum direito a menos!

http://pcb.org.br/portal2/11417

terça-feira, 5 de julho de 2016

Povo Tupinambá faz apelo às autoridades pedindo o fim da violência contra indígenas

Caciques e lideranças Tupinambá reunidos em Olivença, sul da Bahia, divulgaram na manhã desta quarta-feira, 29, um comunicado pedindo o fim da violência e do preconceito contra os povos indígenas. A manifestação é dirigida às autoridades brasileiras e organismos internacionais diante das repetidas violações de direitos humanos dos povos indígenas no Brasil.

O Massacre de Caarapó, perpetrado por fazendeiros contra a aldeia Tey’i Jusu e que terminou com o assassinato do Guarani e Kaiowá Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, no último dia 14 de junho, além de outros seis baleados por tiros de arma de fogo, gerou revolta entre os Tupinambá.

“Nós, povos indígenas, sofremos quase que diariamente com ataques, criminalização e perseguições. Se não bastasse o sangue que nossos antepassados derramaram por essa Terra com o genocídio sofrido pelo povo indígena brasileiro”, destaca trecho do comunicado. Os Tupinambá lembram que essa política de genocídio nasce no próprio Estado brasileiro, que com medidas Executivas e Legislativas tentam descontruir os direitos indígenas.

Os Tupinambá lembram ainda das declarações de ódio feitas pelos ruralistas. “Assim como acontece com os parentes Guarani Kaiowá, nós também sofremos ataques de milícias armadas, e de muitos interesses políticos da região. Aproveitamos para repudiar todas as declarações caluniosas que são feitas aos nossos povos e pedimos providências da Justiça brasileira e dos órgãos internacionais de Direitos Humanos contra estas declarações”, diz trecho do comunicado.

Leia o comunicado na íntegra:

CHEGA DE VIOLÊNCIA E PRECONCEITO CONTRA OS POVOS INDÍGENAS.

Nós, povo Tupinambá da região sul da Bahia queremos mostrar o nosso apoio e solidariedade ao povo Guarani e Kaiowá, e nossa total comoção, revolta e indignação com os recentes e constantes ataques contra nossos parentes. Nós povo indígena sofremos quase que diariamente com ataques, criminalização, e perseguições. Se não bastasse o sangue que nossos antepassados derramaram por essa Terra com o genocídio sofrido pelo povo indígena do Brasil. Nos tempos de hoje continuam a nos atacar, perseguir, criminalizar. Em fim não se contentaram com os ataques aos povos com a criação da PEC 215, PLP 227, portaria 303 da AGU. Resolveram voltar ao tempo dos coronéis e a ordem agora é matar e extinguir os povos indígenas no Brasil; o que já começou com os parentes Guarani Kaiowá. Queremos chamar a atenção da população brasileira e internacional para o que esta prestes a acontecer com nosso país. Ruralistas difamam e acusam que nós povos indígenas somos um empecilho para o progresso, mas não percebem que nós estamos aqui para ajudar a manter e proteger nosso maior tesouro, que é a mãe natureza – sem falar que são eles que são “donos” de quase todo território nacional, representando 1% da população brasileira. A outra parte das terras fica para ser dividida com o restante dos brasileiros. A população precisa abrir os olhos, porque eles querem acabar com nosso Brasil.

Com nós, povo Tupinambá de Olivença situado nos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, Bahia, não é diferente e também estamos sofrendo com os ataques políticos e a tiros. Na região já são cerca de 30 assassinatos de indígenas por conta dos conflitos relacionados ao processo de demarcação de terra, que vem rolando há cerca de 16 anos sem resposta concreta do governo federal. Agora recentemente o interesse sobre o nosso território vem através dos mineradores que visam tirar de nossa terra toda areia e minérios que ainda não conseguiram nos roubar, mais os grandes empreendimentos que vem cada vez mais ocupando espaços em nossa região. Enquanto isso, mais uma vez sofremos: sem nossa Terra sagrada que o sangue de nossos antepassados foi derramou não temos como viver, porque a Terra é nossa Mãe e Mãe não se negocia.

Assim como acontece com os parentes Guarani Kaiowá, nós também sofremos ataques de milícias armadas e de muitos interesses políticos da região. Aproveitamos para repudiar todas as declarações caluniosas que são feitas aos nossos povos e pedimos providências da Justiça brasileira e dos órgãos internacionais de Direitos Humanos contra estas declarações que só incentivam e aumentam o preconceito e ódio contra o nosso povo, a exemplo das diversas declarações do deputado federal Luís Carlos Heinze (PP/RS) – assista aqui; e o último vídeo, onde ele faz acusações e diz mentiras sobre o processo de demarcação de nossa Terra no sul da Bahia – assista aqui.

Querem nos exterminar, mas cada vez que morre um índio serve como semente e brotam novos guerreiros, pois enquanto houver índio haverá luta pelo que é nosso por direito, que é a Terra!! É preciso resistir para existir.
 Olivença, 20 de junho de 2016.
Caciques e lideranças Tupinambá.
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=8796&action=read

segunda-feira, 4 de julho de 2016

GENALDO MELO: A solidão de um túmulo político

De erro em erro político Michel Temer, o vice-presidente que quer ser Presidente da República a qualquer custo, vai comprovando o porquê de ele da última vez que enfrentou as urnas com seu rosto presente na frente do eleitor na hora do voto, quase perdeu as eleições para deputado federal por São Paulo, pois ganhar eleições nas urnas não é coisa para fracos e nem para incompetentes.

De erro em erro o vice-presidente prova que quem tem grandeza de espírito participa das eleições nas urnas, e quem tem pequenez de búfalo acha que o povo é escabroso para não perceber o cheiro do golpe de quem não tem votos nas urnas para assumir o poder.

Com seus erros políticos a cada dia sendo desenhado sem metáforas políticas, preocupações devem está deixando ele sem dormir direito, pensando nas possibilidades negativas de seu futuro político. A primeira preocupação dele deve ser de ter brincado com a democracia, porque mesmo que grande parcela da população brasileira não goste de Dilma Rousseff, e do projeto político que ela representa, ela não é uma mulher qualquer.

Dilma é a única mulher da história política brasileira que recebeu cerca de 54 milhões de votos, ou seja, teve cerca de 54 milhões de cidadãos e cidadãs conscientes de seus papéis diante das urnas que acreditaram na possibilidade de mais uma vez uma mulher continuar governando nosso país. E na democracia, aliás, no Brasil como reza a Constituição Federal, coordena o Governo quem enfrenta as urnas e ganha. Michel Temer deve está se corroendo na alma com a volta de Dilma, e sua solidão no Palácio do Jaburu depois...

Seus erros são tão terríveis que cheira a solidão próxima, pois quem erra politicamente prova que não tem grupo político, ou faz parte de um grupo político como pitbull amestrado que não deixa de ser pitbull manipulado, ou então que ser chefe de grupo político que já tem chefe, e ambos não vão a lugar nenhum a não ser mordidos pela mesma mamba negra colocada na cama dos outros, que até agora somente mordeu a imagem plantada no espelho.

De erro em erro Michel Temer pode ficar cego e não ver que agora Rede Globo e o Jornalismo da Obediência, FIESP e lacaios brasileiros, partidos fracos que não vencem nas urnas, podem não lhes estenderem as mãos nas areias movediças de sua solidão ali na frente, porque na política somente se agrada a dois leões quando se tem competência eleitoral.

Mesmo quem tem 54 milhões de votos não agrada a todos, mas todos obrigatoriamente devem conviver juntos na democracia, porque graças à Deus como brasileiros não somos unânimes, pois não somos escabrosos. O erro político tem sempre como marca o caduceu da morte política e da solidão. E a solidão de um palácio deve tão ruim como a solidão de um túmulo!
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